segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Feriado na metrópole

A rua deserta. Feriado na metrópole. Praias lotadas, montanhas nem tanto. Mas cidade vazia. Exceto por ele ali naquela rua varrida pelo vento que mais parecia um furacão quase arrancando sua cabeça do pescoço seu olhos secos começando a lacrimejar sua boca impiedosamente entortada suas bochechas querendo cobrir a face toda. Consequência da idade tudo vai caindo como Newton já previra um bocado de tempo atrás e se enchendo daquela flacidez deprimente. Anyway (como diria um daqueles personagens de seriados americanos que ele tanto gostaria de ser meu deus daria tudo pra se tornar um friend da Jennifer Aniston) estava ali, naquela rua, com uma vaga esperança de que poderia enfrentar a fúria eólica (credo que coisa mais greco-latina como odiava isso desde as aulas de literatura se pudesse teria matado Homero Dirceu Marília deitados na relva e não podia se esquecer do crápula que era o Bilac) que parecia não oferecer chance pruma trégua. A bem da verdade mal sabia pra onde andava qual era seu rumo, tinha impressão de que sua casa ficara uns dois quarteirões pra trás mas sentia que precisava seguir em frente. Passou diante do ponto de ônibus em que costumava parar todos os dias pra ir trabalhar. Como sentia nojo daquele monte de papel colado no banco a prefeitura devia fazer algo talvez passasse lá pra bater um lero com o prefeito nossa isso foi demais lero era do tempo do seu tataratataravô. Mas que ironia o vento levou um daqueles papéis direto pro seu rosto, retirou afobado com medo de germes invisíveis como eles faziam mal porém a mensagem que lá estava escrita era exatamente do que precisava nem que fosse encomendado sairia tão bem assim tratou de metê-lo logo no bolso e foi correndo o mais rápido que pôde precisa de um telefone sorte que tinha pagado a conta do seu. Subiu correndo as escadas do predinho de três andares em que morava quase tropeçou como aquela dona caquética que morreu semana passada bem feito pra ela. Abriu a porta do apartamento correndo nossa tinha esquecido quanta bagunça precisava arrumar odiava desordem. Tirou o casaco e começou a catar tudo o que estava espalhado. - Intermezzo: o papel cai do bolso direto no chão. - Tinha acabado mas de repente vê um pedaço de papel no chão que nojo devia ser um daqueles que a gente encontra no ponto de ônibus não pensou duas vezes jogou logo no lixo. De repente, sente algo estranho. Olha pela janela. A rua deserta. Feriado na metrópole.

2 comentários:

Rogério disse...

O texto demonstra-se temeroso, mas supreendentemente também subversivo à "Dona Norma Culta". Seria uma fase de inquietação prévia, prestes a romper com algo?! A pontuação, o ritmo, as quebras de atos, pensamentos, a suspensão para o retorno ao marasmo são propositais e pontuais. Pareceu-me um texto ainda incompleto. Mera impressão? Pareceu-me também faltar dar-lhe o dia por inteiro, talvez também a noite, ou o fim de semana prolongado (já que é típico dos feriados em metrópoles)? Talvez falte, apenas talvez, uma definição sobre o querer narrar-se ou narrar. Embora em terceira pessoa, passeia pela introspeção em primeira. Todavia, se a intenção é realmente a dubiedade no papel do narrador, um efeito "sanfona" (vai-e-vem em relação a distância com o leitor) precisa ser melhor trabalhado. Hipóteses, não críticas. Algo para se pensar e, talvez, discutir.

Nícholas Mendes disse...

beeemmmm diferente de todos os seus posts antigos.
Seu ponto de narração mudou.
gostei.
não eh um texto que se lê uma ou duas vezes.
Parabens..... eu gostei.
(Mudou o modo de escrtever tbm)
espero que continue a ficar nos blogs.